REPORTAGEM ESPECIAL: SOMOS TODOS INDÍGENAS

Em um momento histórico marcado por crises ambientais globais, mudanças climáticas e profundas transformações tecnológicas, pesquisadores de diferentes países têm buscado novas formas de compreender a relação entre humanidade e planeta.

Marcello D'Victor

3/21/20265 min read

Gazeta do Amapá — Edição Especial / Associação Nacional de Jornais (ANJ)

Em um momento histórico marcado por crises ambientais globais, mudanças climáticas e profundas transformações tecnológicas, pesquisadores de diferentes países têm buscado novas formas de compreender a relação entre humanidade e planeta.

Nesse cenário de reflexão científica internacional, uma proposta desenvolvida por um pesquisador brasileiro começa a ganhar destaque em congressos acadêmicos realizados na Europa e no Oriente Médio.

A proposta parte de uma ideia simples e, ao mesmo tempo, profundamente transformadora:

a humanidade precisa redescobrir a sabedoria dos povos originários para reencontrar equilíbrio com a Terra.

Essa reflexão foi apresentada pelo pesquisador brasileiro Dr. h.c. Vicente Pironti, fundador das Ciências das Terras Asavikas, em dois importantes congressos científicos internacionais realizados em agosto de 2025.

Os eventos reuniram pesquisadores de dezenas de países e centenas de doutores de universidades e centros de pesquisa de diversas partes do mundo.

Ciência brasileira em congresso internacional na Europa

O primeiro desses encontros foi o 2nd International Ohrid Scientific Researches and Innovation Congress, realizado nos dias 2 e 3 de agosto de 2025, na República da Macedônia do Norte, na região dos Bálcãs.

O congresso reuniu pesquisadores de universidades da Europa, Ásia e Oriente Médio, promovendo debates sobre economia, tecnologia, cultura, sustentabilidade e inovação científica.

Durante o evento, o Dr. h.c. Vicente Pironti teve uma participação de destaque ao atuar como Head of Session (Presidente de Sessão) em uma das sessões científicas do congresso.

A sessão foi realizada no dia 03 de agosto de 2025, das 09h00 às 11h30, reunindo trabalhos apresentados por pesquisadores da Romênia, Jordânia, Paquistão, Sérvia, Ucrânia, Belarus e outros países.

Nessa mesma sessão foi apresentado o artigo científico:

“Asavika Earth Sciences: A Pedagogical and Ethical Paradigm for Regenerative Geoeducation and Planetary Reconciliation”

O estudo foi desenvolvido por Dr. h.c. Vicente Pironti, pesquisador afiliado ao Lincoln University College (Malásia) e chairman do IFREL Brasil – International Forum of Researchers and Lecturers, em parceria com o geógrafo José Gonçales Junior, especialista em sustentabilidade e governança territorial.

O trabalho propõe uma nova abordagem científica para a relação entre humanidade e planeta, integrando saberes acadêmicos contemporâneos com conhecimentos ancestrais presentes nas culturas indígenas.

Entre os princípios apresentados no estudo estão:

  • a compreensão da Terra como sistema vivo de relações

  • a necessidade de práticas regenerativas no uso dos recursos naturais

  • a integração entre ciência, educação e saberes tradicionais

  • novos modelos de educação territorial voltados à sustentabilidade planetária.

O nascimento das Ciências das Terras Asavikas

A proposta apresentada pelo pesquisador brasileiro integra um campo emergente de investigação científica denominado Asavika Earth Sciences (Ciências das Terras Asavikas).

Essa abordagem busca ampliar a forma como a humanidade compreende o planeta.

Em vez de tratar a Terra apenas como fonte de recursos materiais, a proposta sugere reconhecê-la como um sistema vivo que participa da própria evolução da humanidade.

Essa visão dialoga com conhecimentos ancestrais preservados por povos originários em diferentes regiões do mundo, especialmente nas culturas indígenas da Amazônia.

Apresentação em congresso científico internacional na Turquia

Poucos dias depois da apresentação na Europa, a reflexão ganhou nova projeção internacional.

O Dr. h.c. Vicente Pironti apresentou outro trabalho científico no 8th Bilsel International World Scientific and Research Congress, realizado nos dias 9 e 10 de agosto de 2025, em Istambul, Turquia.

O congresso reuniu pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, provenientes de países como Alemanha, Indonésia, Hungria, Croácia, Moldávia, Jordânia, Paquistão, Romênia, Ucrânia, Índia e Brasil, entre outros.

Foi nesse encontro que o pesquisador brasileiro apresentou o artigo:

“We Are All Indigenous: An Asavika Sciences Perspective on the Spiritual Heritage of Native Peoples as a Foundation for a Fulfilled Future”.

O trabalho propõe uma reflexão sobre a herança espiritual dos povos originários e sua importância para a construção de um futuro mais equilibrado para a humanidade.

A tese central apresentada no estudo é que todos os seres humanos carregam, em alguma dimensão profunda de sua história e de sua consciência, uma conexão ancestral com a Terra.

Nesse sentido ampliado, a ideia de que “somos todos indígenas” não se refere apenas a uma identidade cultural específica, mas a uma forma de consciência que reconhee a interdependência entre humanidade, natureza e planeta.

Uma mudança de paradigma civilizatório

Durante séculos, grande parte do desenvolvimento humano foi orientado por uma lógica de exploração intensiva da natureza.

A visão apresentada nos estudos das Ciências Asavikas propõe uma mudança de direção.

Em vez de dominar a Terra, a humanidade precisa aprender novamente a conviver com a Terra.

Essa proposta não significa rejeitar ciência ou tecnologia, mas integrá-las a uma compreensão mais ampla da vida, na qual desenvolvimento material e equilíbrio ambiental caminham juntos.

O Brasil como território de soluções

Nos debates acadêmicos internacionais, o Brasil aparece frequentemente como um território estratégico para o futuro do planeta.

A presença da Amazônia, sua diversidade cultural e seus conhecimentos tradicionais colocam o país em uma posição singular na construção de novos modelos de desenvolvimento capazes de integrar ciência, natureza e cultura.

Estados amazônicos como o Amapá, por exemplo, possuem características únicas que podem inspirar experiências inovadoras baseadas na bioeconomia, na educação territorial e na valorização cultural.

Nesse sentido, o debate científico apresentado nesses congressos internacionais também aponta para uma reflexão mais ampla sobre o papel da Amazônia no futuro da humanidade.

Uma mensagem para todas as gerações

Para que essas ideias possam contribuir efetivamente para o futuro da sociedade, é fundamental que elas circulem além do ambiente acadêmico.

Que esse texto seja lido em escolas, universidades e comunidades.

Que seja lido em voz alta para aqueles que não tiveram acesso à alfabetização.

Que seja gravado em áudio para pessoas com deficiência visual.

Que possa ser adaptado em linguagem simples para crianças e adolescentes, permitindo que novas gerações cresçam conectadas a visões capazes de iluminar o futuro da humanidade.

Talvez as soluções para os grandes desafios do planeta não estejam apenas nas tecnologias mais avançadas ou nas estruturas econômicas mais complexas.

Talvez elas estejam também na capacidade de redescobrir algo que os povos originários sempre souberam:

a Terra não é uma coisa.

A Terra é uma relação.

E talvez seja exatamente por isso que possamos dizer:

somos todos indígenas.

GRUPO HUMANIZA EM AÇÃO