O GUARDIÃO DO ERÁRIO: R. NELSON, O DEFENSOR INCANSÁVEL DO AMAPÁ
Na cultura, o deputado revelou o escândalo de uma Ata falsa na Expofeira Agropecuária de 2025, usada por uma empresa para desviar milhões. Após ofício ao governo do Amazonas, confirmou-se: o documento era fictício. “A imprensa local faz vista grossa”, criticou no X, exigindo da Controladoria Geral do Estado (CGE) e da Procuradoria Geral do Estado (PGE) esclarecimentos sobre contratos sem licitação. Seu projeto de lei para instalar placas com QR Code em obras públicas, permitindo monitoramento cidadão, segue parado na Diretoria Legislativa desde julho – um sinal de resistência à transparência.
Marcello D'Victor
10/27/20253 min read


No Brasil do dinheiro público, frequentemente, se perde nos meandros do patrimonialismo descrito por Raymundo Faoro em Os Donos do Poder – aquela fusão perversa entre interesses privados e o Estado –, o Amapá encontra em R. Nelson (PL) uma figura singular. Advogado e bombeiro militar da reserva, Errinelson Vieira Pimentel, nascido em Teresina em 1976, é mais do que um deputado estadual: é o fiscal mais combativo do estado, um guardião do erário que usa seu conhecimento jurídico para proteger a população. Sua atuação evoca o chamado de Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil por uma ética pública que rompa com o personalismo arraigado na política brasileira.
R. Nelson não se limita a apontar falhas; ele as disseca com precisão cirúrgica. Um exemplo é sua denúncia, em outubro, sobre o desvio de R$ 10 milhões do orçamento destinado à educação e à ciência para custear eventos festivos – uma afronta à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que privilegia o supérfluo em detrimento do essencial. Em Oiapoque, ele expôs irregularidades em obras de pavimentação, cobrando transparência em contratos que cheiram a má gestão. No X, ele alertou sobre manobras orçamentárias que, à semelhança das famigeradas “pedaladas fiscais”, usam ordens bancárias para encobrir gastos fora da Lei Orçamentária Anual (LOA).
O colapso na saúde pública é outro campo de batalha. Em um vídeo no TikTok, R. Nelson exige mudanças na fiscalização estadual: “Falta transparência, nomeiam fiscais sem qualificação e desrespeitam leis, prejudicando o povo e a economia local.” Ele protocolou pedidos para chamar a secretária de Saúde à ALAP, solicitou intervenção federal e cobrou relatórios da Secretaria de Estado da Saúde (SESA) diante de um sistema em ruínas – como no caso de um paciente que, após cirurgia malfeita na tíbia e fíbula em 2024, aguarda materiais cirúrgicos desde julho de 2025. “Mais de mil notificações de calotes na saúde estão engavetadas. Onde está o material? Quem lucra enquanto o povo sofre?”, questiona ele. R. Nelson também denuncia o “desmando fiscal” que ignora os servidores, “a espinha dorsal do Estado”.
Na cultura, o deputado revelou o escândalo de uma Ata falsa na Expofeira Agropecuária de 2025, usada por uma empresa para desviar milhões. Após ofício ao governo do Amazonas, confirmou-se: o documento era fictício. “A imprensa local faz vista grossa”, criticou no X, exigindo da Controladoria Geral do Estado (CGE) e da Procuradoria Geral do Estado (PGE) esclarecimentos sobre contratos sem licitação. Seu projeto de lei para instalar placas com QR Code em obras públicas, permitindo monitoramento cidadão, segue parado na Diretoria Legislativa desde julho – um sinal de resistência à transparência.
Formado em Direito e com uma carreira no Corpo de Bombeiros do Amapá, onde subiu de cabo a sargento, R. Nelson transforma a Assembleia em um tribunal em defesa do povo. Ele acusa o “grupo político que comanda o Amapá” de rejeitar a transparência, uma crítica que ressoa com a análise de Jessé Souza em A Elite do Atraso, que vê a corrupção como herança de uma estrutura escravocrata. Autoproclamado “fiscal do povo” nas redes, ele personifica o combate à elite que trata o orçamento como espólio.
No Amapá de Clécio Luís, onde a saúde definha e verbas são desviadas para o supérfluo, R. Nelson é um “grito solitário na ALAP”, como ele próprio se define em um reel no Instagram. Suas denúncias, do Hospital de Emergências às obras em Oiapoque, são um convite à vigilância cidadã. Num Brasil que amarga o 104º lugar no Índice de Percepção de Corrupção da Transparência Internacional, sua atuação é um lembrete: a democracia exige olhos abertos, não conivência.
Que outros se inspirem. O Amapá – e o Brasil – precisam de mais como ele.


