CORRIDA FRANÇA-BRASIL: A PONTE VIVA ENTRE NAÇÕES
Inscrições abertas: corra para o site oficial ou pontos em Oiapoque e Saint-Georges. Premiações generosas, hidratação impecável e o troféu supremo: a bandeira tricolor ao vento, ao lado do galo francês. Dia 8, às 6h, o apito soa. Quem sabe você não será o próximo a "correr até a França"?
Marcello D'Victor
10/27/20254 min read


Imagine atravessar uma fronteira internacional não com passaporte em mãos, mas com tênis nos pés, suor no rosto e o coração acelerado pelo ritmo da própria respiração. É exatamente isso que acontece na Corrida França-Brasil, a única prova transnacional de rua da América do Sul. Nascida em maio de 2017 na ponte binacional que une Oiapoque, no Amapá, a Saint-Georges-de-l'Oyapock, na Guiana Francesa, a iniciativa começou modesta: 300 participantes, inscrição mediante dois quilos de alimentos não perecíveis. O gesto solidário promoveu saúde pública em uma região isolada, mas o que poderia ser um evento local logo se transformou em símbolo de integração binacional, referendada pela tribuna política de Paris.
O sucesso imediato ecoou do outro lado da ponte. Autoridades francesas, impressionadas com o impacto na promoção da atividade física na fronteira, clamaram por expansão. "Era uma oportunidade única de unir povos vizinhos pela saúde e pela amizade", recorda Charles Corrêa, delegado de polícia em Oiapoque e um dos idealizadores. Para viabilizar o sonho de uma meia-maratona – 21 km de puro desafio –, nasceu a Association Coq Roche, entidade francesa que protocolou o dossiê em Paris. Autorização concedida: a corrida ganhou status oficial, 100% legalizada, com trâmites jurídicos impecáveis entre Brasil e França.
A primeira meia-maratona, ainda em 2017, marcou o nascimento de uma lenda. Desde então, a prova evoluiu: a pandemia paralisou o mundo entre 2020 e 2021, mas o retorno em 2022 foi triunfal, com apoio governamental. Em 2025, veio a fusão estratégica com o Circuito Sesc de Corridas, unindo forças institucionais. Hoje, na sua 6ª edição, a organização é tripartite: Circuito Sesc de Corridas, Associação Delegado Charles Corrêa e Association Coq Roche. Um modelo de parceria público-privada que transcende fronteiras.
Agora, olhos no futuro: 8 de novembro de 2025. Pátio Aduaneiro Brasileiro da Ponte Binacional, em Oiapoque, será o epicentro de 2 mil corredores. São 1.200 na prova de 6 km – acessível a amadores e famílias – e 800 na exigente meia-maratona de 21 km, que avança pelo território francês, cruzando a ponte icônica sobre o rio Oiapoque. O percurso mescla asfalto, vistas amazônicas e o simbolismo de pisar em dois continentes: América do Sul e Europa (via Guiana Francesa, território ultramarino francês).
Mas a magia não para nós adultos. Na véspera, sexta-feira 7, final da tarde, brilham as estrelas mirins: Corrida Kids para 100 crianças de 5 a 11 anos – 50 brasileiras, 50 francesas. "É o futuro correndo unido", diz Jean Xavier, presidente da Coq Roche. Gratuita e lúdica, a prova reforça laços desde a infância, com medalhas e sorrisos garantidos.
Além dos quilômetros: impacto social e diplomático
Mais que uma corrida, a França-Brasil é um vetor de desenvolvimento. Inicialmente filantrópica, ela doou toneladas de alimentos à população local. Hoje, impulsiona o turismo na BR-156, pavimentada em grande parte, e atrai atletas de todo o Amapá e Guiana. Em 2023, reuniu mil participantes, com brasileiros dominando o pódio nos 6 km: Aldair da Silva (1º masculino) e Franciara Feitosa (2ª feminina).
O delegado Charles Corrêa, herói duplo – no combate ao crime transfronteiriço e no esporte –, personifica o espírito. "Promovemos saúde onde o isolamento poderia prevalecer. É Brasil e França dizendo: juntos, somos mais fortes." A prova integra o calendário oficial de atletismo amapaense, com apoio do governo estadual, que investe em logística e segurança.
Desafios? Sim: logística em região remota, intempéries amazônicas e a pandemia, que testou a resiliência. Mas o legado é inegável: fortalece a ponte binacional, inaugurada em 2011 como elo terrestre entre Mercosul e União Europeia. Em tempos de globalização fragmentada, eventos como este recordam que fronteiras são linhas imaginárias – superadas por um passo de cada vez.
Chamada para os intrépidos
Inscrições abertas: corra para o site oficial ou pontos em Oiapoque e Saint-Georges. Premiações generosas, hidratação impecável e o troféu supremo: a bandeira tricolor ao vento, ao lado do galo francês. Dia 8, às 6h, o apito soa. Quem sabe você não será o próximo a "correr até a França"?
Na 6ª Corrida França-Brasil, não se corre só por medalhas. Corre-se por união, saúde e história. Do Oiapoque ao coração da Europa: o Brasil mostra o caminho.
Exclusividade da Redação


A BRILHANTE ATUAÇÃO DO DELEGADO CHARLES CORRÊA NA CORRIDA FRANÇA - BRASIL












